quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Sopro do Vento - Epílogo

- Você pegou tudinho? – mamãe quis saber.
- Claro que sim, mamãe. – eu olhei dentro da bolsa. Canetas, cadernos, livros, dinheiro para a, eca, comida. Tud estava ali.
Estávamos a caminho de Port Angeles. Todos no volvo prata de meu pai. Meu pai, minha mãe Jacob e eu. O resto da família vinha nos carros atrás. Acho que o presidente não tem uma escolta tão poderosa quanto a minha. Até a patrulha do meu avô veio atrás, com ele, Billy, Sue, Seth e vovó Renée, que veio da Flórida só para ver meu primeiro dia de aula.
Chegando à porta da escola, estacionamos o carro. Nesse primeiro dia de aula eu iria com eles para conhecer o caminho. No segundo dia em diante eu já poderia ir à escola com o meu carro. Todos soltaram e uma comitiva me levou até dentro da escola. Oito vampiros, dois lobos e três humanos. Tio Emmett repetia todo o momento que dava tempo de desistir. Da última vez todos mandaram-no calar a boca e então, ele ficou quieto. Entramos todos na secretaria para que eu pudesse pegar minha caderneta.
- Bom dia, em que posso... ajudar. – a senhora que estava do lado de trás do balcão se assustou com a quantidade de pessoas que ali se encontrava. – Han, primeiro dia de aula, querida?
- Sim. – eu ri. – Renesmee Carlie Cullen, por favor. – estendi a mão para pegasr a caderneta e meu horário. Sai da secretaria e me segui para a sala 3 C, para a aula de literatura inglesa. – Muitas pessoas murmuravam sobre a beleza da minha família e sobre a garota nova da escola. Jake pegou na minha mão, enciumado. Achei engraçado.
- Sabe, vocês todos não precisam me seguir. Estou bem crescidinha. – eu disse.
- Quando você entrar na sala, iremos embora. – mamãe falou. – Agora, lembre-se...
- Nada de esportes, nada de correr, sem muito contato com a pele deles. Se tocarem, é por causa do ar condicionado do carro, eu sei. – eu resmunguei.
- E estaremos aqui as três para te buscar. – papai me lembrou.
- Bom, é aqui que eu entro. Até mais, pessoal, amo vocês. – falei, dando um beijo em Jake, abraços em meus pais e entrando na sala. Foi quase impossível para meu professor, Sr. Stevens, expulsar meus parentes de lá. Sentei numa cadeira vazia ao lado de uma menina loira que lembrava um pouco a tia Rose. Tinha olhos azuis e lembrei da garotinha da lanchonete do ano anterior.
- Oi. Sou Patty Rosemberg. – ela me cumprimentou, sorrindo.
- Sou Renesmee Cullen, mas me chame de Nessie. – eu retribui o sorriso.
- Esta é a sua família? – ela me perguntou.
- Sim, grande, né? – eu falei. – meu namorado e o pai também vieram me trazer. Sabe, meu primeiro dia.
- Sei como é, eu era a novata ano passado. – ela sorriu. – Vim de Phoenix.
- Minha mãe é de lá. – eu sorri. – Vivemos em Forks.
O professor chamou nossa atenção. Ele falava sobre Romeu e Julieta. Foi um dos primeiros livros que li. Então soube responder todas as perguntas que ele me fez.
Fomos almoçar juntas. Conheci algumas amigas de Patty, a Sam, Molly e Meredith.
Às três horas, meus pais estavam na porta. Jake e os outros voltaram para Forks.
Ao chegar em casa, tia uma enorme faixa escrita Bem vinda ao lar, Nessie. Isso era idéia de tia Alice. Dentro, balões. Será que ela não e cansava disso?
Jantei com os humanos da minha família e me despedi de todos. Precisava de uma noite de descanso. Partiria cedo para a minha nova rotina. Agora sim, estava completa. Agora sim estaria feliz para todo o sempre.

O Sopro do Vento - Capítulo 11: Para Sempre E Sempre

Acordei com o barulho no andar de baixo. Levantei da cama, mas vi que mamãe estava sentada do meu lado, sorrindo.
- Bom dia, meu amor. – ela disse, beijando meu rosto.
- Bom dia mamãe. – eu disse, ainda confusa por estar acordando naquele momento. – O que está fazendo aqui?
- Vim trazer seu café na cama. – ela me mostrou uma bandeja enfeitada com rosas. Em cima, cereal com leite, ovos, pão e um copo de suco de laranja. – Sua avó Renée fez questão de preparar tudo. – ela sorriu. Ela sabia que eu faria tudo em nome da vovó. Peguei um pedaço de pão e mastiguei. Eca, eu pensei. – Hoje vai ser um grande dia, sabe? Alguns de nossos antigos amigos estão vindo. Alguns não puderam vir. O Charlie e a Sue virão mais Seth e Leah. As amazonas também. Até Billy Black virá. Jake foi buscá-lo há alguns minutos, virão logo.
- Irei conhecer Billy? – eu disse, animada. Ao longo desse tempo eu só havia ouvido a voz do Billy. Não fazia a menor idéia de como ele era.
- Sim. Os Denali também vêm. – mamãe suspirou. Sabia que ela sentia uma pontada de ciúmes da tia Tanya.
- E você vai ser a vampira mais linda da festa, mamãe. – eu sorri. Ela me deu um beijinho no rosto enquanto eu terminava de comer.
- Bom, agora precisamos que você desça. Mas, lembre-se, o exagero de sua tia não é contestável. Não diga a ela que está demais, tudo bem?
Ai. Eu pensei. O que será que ela fez? Não demorei muito para descobrir. Saindo da entrada do quarto onde estava havia um longo tapete dourado que descia pela escada até a sala principal. Entendi que lá todos estariam me esperando para que eu descesse. Grandes balões dourados e pérolas estavam pendurados no teto, formando arcos. Uma estátua de um grande anjo em mármore havia sido colocada no meio do salão. Um anjo tocando harpa. Só percebi que o anjo tinha o meu rosto quando cheguei mais perto. Do lado de fora havia um caminhão onde pessoas estavam trazendo castiçais dourados e velas enfeitadas. Mesas haviam sido postas do lado de fora da casa, todas enfeitadas com toalhas brancas, forros dourados e arranjos de rosas brancas com meu nome esculpido em pequenas peças de metal pintadas de dourado.
- Precisa ver o que ela fez na sala de televisão. – mamãe disse, sorrindo.
- Eu acho que já vi o suficiente. – eu disse, ainda abismada com a falta de limites da minha tia. – Onde estão os outros?
- Edward está explicando ao pianista como tocar a música que ele compôs pra você. – ela me disse, fazendo um sinal de silêncio e piscando o olho. – É uma surpresa, mas acho que você terá surpresas demais por um dia.
- O que você quer dizer com isso? – eu perguntei a ela.
- Nada demais. Você vai descobrir logo, logo.
De dentro da cozinha, falando ao telefone, uma figura baixa surgiu em meio a vários balões, segurando uma toalha de mesa e uma plaqueta com papel e caneta na outra.
- Eu quero a estátua de gelo às quatro e meia da tarde, entendeu? Será que eu vou ter que soletrar mais uma vez? Renesmee... R-E-N-E-S-M-E-E. Sim, dois Es no final. Meu senhor, eu dei a foto e disse, ela deve ter um metro e sessenta. Não me interessa se você fez com um metro e meio, eu quero em tamanho real! Coloque saltos na estátua, não me interessa. Eu quero a estátua de gelo da minha sobrinha em minha casa hoje à tarde e ponto. – ela desligou o telefone. – Ah, Nessie, que com que acordou. Temos várias coisas pra fazer. Bella, você já deu seu presente à Nessie?
- Estou esperando Edward para darmos juntos. – mamãe sorriu.
- Mamãe, ainda falta muito para meu aniversário. Hoje é só o baile. Setembro ainda está longe. – eu disse.
- Em setembro faremos outra festa e daremos mais presentes, querida. Sem papel de embrulho, é claro. – Ela olhou para a minha mãe e piscou. – Edward, precisamos de você aqui. Já acabou o que tem que fazer?
Ouvimos meu pai em outro cômodo dizer que sim. Em meio às bolas, o vampiro de cabelos acobreados iguais aos meus surgiu. Ele sorriu para mim e disse logo em seguida.
- Venha cá. Nós temos uma surpresa pra você. – ele sorriu. – Mas antes, feche os olhos.
Hesitei um pouco para fechar os olhos. Será que essa seria uma das surpresas que eu teria naquele dia? Os segui para o lado de fora da casa. Andamos um pouco a mais, então eu sabia que estávamos indo em direção à garagem. Quando chegamos lá, paramos e ele falaram, quase sincronizados para eu abrir o olho. Lá estava ele. Meu carro. Um New Beetle conversível, amarelo como o carro da tia Alice, enrolado numa grande fita cor-de-rosa.
- Ele é lindo, papai, mamãe, muito obrigada. – eu os abracei e me soltei para conferir o meu presente. - Dentro, na ignição, uma chave com um grande chaveiro em formato de R estava pendurada. Seus bancos eram de couro branco e havia um lobinho de pelúcia pendurado no retrovisor. Sabia que havia sido idéia da mamãe.
- Você vai precisar dele ano que vem, quando for à escola. – papai falou.
Eu parei de olhar para o presente e olhei em direção a eles. Eu havia ouvido direitinho? Escola? Um lugar onde havia vários humanos?
- Escola? – eu perguntei.
- Sim, meu amor. Você demonstrou um controle enorme sobre seus instintos. Sua avó dormiu no mesmo quarto que você, e você sequer demonstrou nenhuma reação contra. É claro, você irá freqüentar uma escola particular em Port Angeles. Não podemos colocá-la em Forks High, pois acabamos de sair de lá. Como explicar outra Cullen e muito parecida com a Bella? – papai me explicou.
- Pai, não importa o local, desde que seja uma escola. – eu sorri. Eu não podia estar mais feliz. Eu realmente iria ter amigos normais, humanos. É claro, eu teria que tomar o máximo de cuidado. Mas isso não importava muito. Tomaria todo o cuidado possível, estaria sempre alimentada e bem abastecida de sangue animal para que não acontecessem acidentes.
- É claro, seu pai vai te dar algumas aulas antes. Você vai entrar numa turma adiantada. Por isso teremos até setembro do ano que vem. – mamãe me falou. Setembro? Ano que vem? Era mais que um ano. Pelo menos eu iria para a escola e logo eu estaria comemorando meu próximo aniversário com amigos humanos.
- Nessie!!! – eu ouvi os gritos da tia Alice vindo em direção à garagem – venha aqui, por um minutinho. Preciso que você ensaie com os pombos que vão trazer sua coroa até você.
- O que? – mamãe disse, espantando-se com tamanha besteira – Alice, sem pombos dentro de casa. Você está maluca?
- Ah Bella, só umas pombinhas. – ela disse, fazendo beicinho. – Você disse “qualquer coisa menos os fogos”.
- Até os fogos seriam menos exagerados que as pombas, Alice.
- Está dizendo que aceitaria os fogos ao invés das pombas? – ela sorriu.
- Acredito que sim. – ela falou.
- Ótimo, os homens já vieram instalá-los. – ela sorriu triunfante e correu para dentro de casa.
- Ela já sabia que eu optaria por trocar os pombos pelos fogos, não é, Edward? – mamãe perguntou, ainda de costas para a gente. Suspirou e sabíamos que ela já tinha sua resposta.
O dia passou rapidamente. Billy Black já havia chegado e foi bastante agradável conversar com ele, até a hora em que tia Alice apareceu, me puxando escada acima para me arrumar. Entre alisamentos e cachos, ela, com a ajuda de minhas avós e tia Rose, prendeu meu cabelo e colocaram a tiara. Mamãe ficou fotografando e filmando tudo. Uma maquiagem leve foi feita em meu rosto. Não usei o medalhão, pois tia Alice dizia que não combinava com meu vestido. Em seu lugar, um cordão fino de ouro com um pingente em formato de coração havia sido colocado.
- É meu presente pra você. – Vovó Renée me disse. – Era meu e eu sempre o levava comigo. Agora você levará um pedaço de mim pra sempre.
Coloquei o vestido dourado e pérola que tia Alice mandou fazer para mim. Nessa altura, todas as mulheres já estavam prontas. Vovó Esme com um vestido de alças verde-escuro, vovó Renée com um vestido numa tonalidade linda de rosa, tia Rose com um lindo vestido vermelho, tia Alice em um vestido rosa pink e curto e mamãe em um vestido azul marinho lindíssimo, longo e com um grande decote nas costas. Seus cabelos estavam presos em um coque bagunçado e usava brincos compridos de brilhante. Estava linda.
- Seus convidados a esperam. – Tia Alice disse. – Desceremos primeiro, seu pai e sua mãe vão descer contigo.
Demorou alguns instantes e papai entrou no quarto. Estava muito elegante em seu smoking.
- Que cara de sorte eu sou. – ele sorriu, me puxando pelas mãos. – Se eu não tenho a esposa e a filha mais belas desse mundo, ninguém mais tem. Eu sorri de volta e o abracei.
- Eu amo vocês. – eu disse, enquanto uma lágrima rolava em meu rosto.
- Nós amamos você também, meu amor. – mamãe me deu um beijinho. Ainda bem que ela não tinha lágrimas. Sua maquiagem estaria arruinada.
Abrimos a porta do quarto e descemos pela escada ao som da música que papai fez para mim. Era o som mais lindo que eu havia escutado. Tão linda quanto a canção de ninar da minha mãe. – Obrigada, pai, é linda. – eu sussurrei a ele, que retribuiu com um sorriso. Pude ver o rosto de todos os convidados, vampiros ou não, sorridentes. Ouvi murmurarem como eu estava linda e como eu parecia com a minha mãe. Isso me deixou muito feliz. À beira da escada, ele estava me esperando. Meu Jacob. Seu cabelo havia sido cortado mais curto, estava usando smoking como o resto dos homens da casa. Ele estava lindo. Ele se aproximou e estendeu a mão para mim. Eu a toquei e senti minhas bochechas queimando em brasa.
- Uau. – ele disse e sorriu. Como na primeira vez, senti minhas bochechas queimarem. – Você está... está... linda! – ele completou.
- Você também está, Jake. – eu disse.
- A baixinha me deu um trato. – ele disse, enquanto me encaminhava para o lado de fora. Os convidados nos seguiam até onde seria realizada a festa. – Até cortou meus cabelos. Nada mal.
A festa se desenrolou formidavelmente. Todos os nossos amigos estavam lá. Os vampiros que nos ajudaram. Meus “tios” Denali estavam lá. Era engraçado ver mamãe grudada em papai toda vez que tia Tanya se aproximava. Papai também devia achar. Tudo ia bem até que o tio Emmett resolveu pegar o microfone e fazer uma declaração para mim.
- ... E ela era tão pequena e desengonçada. Parecia a mãe quando ainda era humana. – ele dizia, com voz de choro. – Quase cabia na palma da minha mão. Tão linda. Ai ela cresceu tão rápido. Com quem eu vou assistir meus desenhos preferidos agora?
- Emmett, desce logo aqui, antes que eu vá ai te buscar. – Tia Rose gritou com ele.
Em um certo momento, tia Alice pediu para que eu dissesse algumas palavras para todos.
Peguei o microfone, com certa timidez, mas o que eu tinha para falar era necessário.
- Obrigada a todos por terem vindo. Só tenho a agradecer essa noite a todos aqui. Aos meus amigos, por terem me defendido e estarem ao lado dos Cullen em um momento tão ruim. – pude ver os vampiros sorrindo para mim. – Aos meus tios Jasper e Emmett. Um por eu me fazer sentir tão bem e o outro por ser sempre meu companheiro de brincadeiras. As minhas tias Alice e Rosalie. A primeira por me ensinar tanta coisa, sobretudo sobre moda. – todos riram. Ela deu palminhas e um sorriso. – E a tia Rose por ter me esperado tanto quanto à minha mãe. – Eu olhei para ela e pude ver que sua fisionomia mudara. Se pudesse chorar, estaria aos prantos. – Aos meus avós paternos por cuidarem de mim. Aos meus avós maternos, por me aceitarem. Ao Billy por sempre atender às minhas ligações com entusiasmo e sem ao menos me conhecer pessoalmente.
- O prazer é meu, Nessie. – Billy Black gritou de algum lugar.
- Ao Jake por ser meu companheiro, meu melhor amigo. Com quem passarei a eternidade... literalmente. – Todos riram, menos tia Rosalie e Leah Clearwater. - À minha mãe por me amar desde que eu estava dentro de seu ventre e não ter desistido de mim. E finalmente, ao meu pai, por ter escolhido Isabella Swan para ser sua. Sem vocês dois, eu não estaria aqui, e é por isso que eu amo vocês mais do que a minha própria vida.
Mamãe soluçava um choro sem lágrimas enquanto me abraçava. Papai veio nos abraçar e nessa hora fogos de artifício rasgavam o céu em vários formatos. Corações, estrelas e o meu nome.
- Mas como ela... Deixa pra lá. – mamãe questionou os talentos de tia Alice.
Uma música lenta começou a tocar. Jake pediu a vez da dança, pois eu já havia dançado uma valsa com meu pai, meus avós e meus tios. Tio Emmett, resolveu que não queria dançar valsa. Sem avisar a ninguém e de última hora, colocou um cd de salsa. Achei divertidíssimo, mas tia Rosalie e tia Alice o puxaram da pista de dança antes que ele pudesse pegar as maracas que havia comprado.
- Está se divertindo, lobinha? – Jake me perguntou.
- Sim, está tudo perfeito. – eu falei. – Te contei que vou freqüentar uma escola humana?
- Só umas quinze vezes esta noite. – ele riu.
- Então, é assim, ser feliz? – eu perguntei.
- Se é como eu me sinto perto de você, então, sim. – ele beijou a minha testa.
- E será assim todos os dias de nossa vida? – eu perguntei.
- Um dia de cada vez, Nessie. Que bom que teremos a eternidade para descobrir, não é?
- Então, eu descobrirei felicidade para sempre!
- Pensei que isso só existia nos livros. Não no mundo real.
- Jake. Acorda. Não estamos no mundo real. – eu ri. – Isso existe em nosso mundo.
- Felizes para sempre, então? – ele quis saber.
- Para sempre e sempre. – eu disse, selando o começo de uma nova vida com um beijo.


O Sopro do Vento - Capítulo 10: Mais Que A Vida

- Renesmee? Renesmee, minha filha, o que houve. Fale comigo. – mamãe me sacudia freneticamente. Conseguia ouvir sua voz, mas não estava assimilando nada. – Carlisle, ajude-me aqui, por favor. Renesmee parece em choque.
- Aqui, dê isso a ela. É água com açúcar. – Vovô deu um copo à mamãe.
- O que aconteceu com ela, Edward? – mamãe perguntou ao meu pai.
- Billy disse que Jacob não apareceu em casa. – ele dizia. – Ela está se sentido culpada. Jasper? Pode nos ajudar?
Uma onda de tranqüilidade me envolveu. Mas eu não a queria. Eu queria estar preocupada. Jacob estava por aí sozinho e a culpa era toda minha. Eu tainha que tomar uma decisão séria. Tinha que ir atrás de Jake.
- Tia Alice, papai. – eu pensei. Sabia que tia Alice não podia ouvir meus pensamentos, mas via as minhas decisões. Então estava decidida a sair em busca de Jacob e decidida a pedir que eles me ajudassem e não me impedissem. – Eu preciso concertar o que aconteceu. Por favor, não me impeçam.
Tia Alice olhou para o papai. Esse, por sua vez acenou a cabeça e sibilou, enquanto ninguém estava prestando atenção nele, só em mim. – Cuidado. De qualquer forma, estaremos atentos.
- Vou fingir que quero ficar sozinha em seu quarto. Por favor, distraia todos, vou sair pela janela e vou atrás do Jake. Não deixe ninguém me incomodar. Deixarei algumas roupas com o meu cheiro no seu quarto para que ninguém desconfie. Voltarei assim que puder. – eu pensei. Fiz uma longa pausa, respirei firme. – eu... eu estou bem. Sério. Só preciso ficar sozinha um pouco.
- Tem certeza? – mamãe me perguntou. – Não quer que eu fique com você?
- Não mamãe. Eu ficarei bem. – eu fingi um sorriso e subi ao quarto. – Distraia-os. – pensei a meu pai.
- Sabe, querida, acho que nós podíamos levar Renée para conhecer nossa casa, que tal? Ela ainda não conhece. Emmett, eu também queria te mostrar meu novo equipamento de som. Por algum motivo não consigo instalá-lo. – Eles ouvi seus passos, saindo da casa.
- Esme, Carlisle, eu acho que ainda não ajustei a roupa de vocês. Poderiam vir prová-las?
- Agora? – vovó Esme perguntou? – Ah, Alice, Carlisle acabou de chegar. Não pode ser mais tarde?
- Agorinha, agorinha, agorinha. – Ela disse e eu sabia que estava rodopiando pela sala, empurrando meus avós pela escada acima. Tia Rose e tio Jasper já estavam ocupados. Ela assistia tv e ele continuava a ler seu livro. Sabia que com eles dois eu não teria que me preocupar. Tirei minhas vestes e coloquei um vestido lilás, prendi meus cabelos e sai em busca do meu Jacob.
Desci a janela com calma para que não me vissem. Não tinha toda a graciosidade dos vampiros para pular na janela e aterrissar com graça, sem provocar um estrondo enorme no chão. Então, desci pela parede e sai correndo em direção à floresta. Tentei rastrear o cheiro do Jacob, mas perdi o rastro quando ele entrou passou pelo rio. Sabia que nunca tinha ido além das margens do rio. Não sabia onde era o limite da fronteira entre os Cullens e os Quileutes, mas isso pouco importava. Desci pela margem do rio, tentando rastrear o cheiro dele. Sim... podia senti-lo de novo. Estava indo ao norte, corria rapidamente. Estivera naquele lugar mais cedo, depois da nossa briga. O rastro estava sumindo, então eu devia me apressar. Corri rapidamente seguindo meus instintos. Senti o cheiro de alguns animais por perto. Minha sede começara a apertar a garganta, mas não era tempo pra isso. Haveria muito tempo para caçar depois que eu encontrasse Jacob.
A mata começou a se fechar cada vez mais e a escurecer. Não pude ver mais a luz do dia e sim o crepúsculo caindo sobre a minha cabeça. O céu multicolorido me fez desejar que Jacob estivesse ali para contemplar aquele momento comigo. Me deslumbrei por alguns momentos com aquela linda pintura celestial, quando me dei conta de que eu não sabia para onde ir. Estava perdida. Não sabia se havia passado dos limites, não tinha mais certeza se Jacob estava dentro da floresta. Não tinha mais certeza de nada. Pela primeira vez tive medo da solidão. Pela primeira vez eu realmente tive medo da escuridão. Eu, uma criatura metade luz, metade escuridão, estava experimentando o pavor do escuro.
Não sabia o que fazer. Sentei no mato pela primeira vez e comecei a pensar em Jacob. Será que ele também estava com medo? Será que ele também estava sozinho? Com medo? Confuso. As samambaias me cobriram quando deitei no chão e me pus a chorar. Queria que ele jamais tivesse ido embora. Queria ter sido menos idiota e ter ouvido o que ele tinha a dizer. Queria poder estar sentindo o seu cheiro amadeirado mais uma vez. Era até como se eu realmente pudesse senti-lo, agora. E, realmente, estava sentindo. Levantei-me rapidamente. Meu vestido estava sujo pela terra, mas isso não importava. Só queria contemplar aquele grande garoto de pele avermelhada que estava a minha frente.
- Jake. – eu disse com a voz trêmula. Lançando-me em direção a ele. – Ah Jake, eu sinto muito, eu não devia ter dito aquilo. Não devia ter mandado você ir embora. – eu falei entre soluços, com lágrimas escorrendo dos meus olhos, tocando o peito nu de Jacob.
- Tudo bem Nessie, eu estou aqui. – ele me disse. Sua voz era a coisa mais linda que eu já havia escutado. Ele me envolveu com seus braços e mais uma vez eu me senti acolhida.
- Agora eu entendo o que aconteceu. Vovô explicou tudo para a gente. Você amava a mamãe...
- Por você ser parte dela, não é? – ele falou.
- Como você... – eu perguntei, mas ele sorriu e me interrompeu.
- Já aconteceu isso com um de nós. Emily e Leah são primas. Sam acreditava ser apaixonado por Leah pois ela tinha ligação sanguínea com Emily.
- Mas você me falou que Sam só conheceu Emily muito tempo depois, nem sabia da existência dela.
- Nem eu da sua. Na verdade, você ainda nem existia, você era aprte de Bella.
- Mas eu também era parte do meu pai. Porque você o odiava tanto?
- Questão de instinto. – Ele me disse, serenamente. – Hoje eu acredito que quebrei todas as regras. Já não sinto raiva dos vampiros. Com exceção da loira. – ele riu. – Tenho que me acostumar a eles, afinal, passarei a eternidade com eles, não é mesmo?
Eu sorri de volta. Passar a eternidade junto a Jacob e à minha família era tudo o que eu mais queria. Agora a minha vida estava completa. O momento estava tão intenso que eu não percebi a chegada de outra figura. Um grande homem, com a pele tão avermelhada quanto a de Jacob estava chegando, acompanhado de mais alguns parecidos com ele. Ele não precisou dizer quem era e porque estava ali. Eu já o conhecia. Era Sam Uley e eu bando e estavam ali porque uma Cullen havia invadido seu território.
- Olá Jacob. – ele disse. – Sua afeição pelos sanguessugas te impede de cumprir as leis dos nossos ancestrais?
- Ela não sabe onde é o limite, Sam. Ela veio me procurar, mas não se preocupe, nós já estamos de saída.
- Infelizmente, - ele dizia, com seriedade. – Creio que isso não será possível. Ela está em nosso território. Isso a faz prisioneira.
- Cara, não tente colocar as mãos nela. – Jacob rosnou.
- O que é isso, Jake. Vai brigar com seus irmãos por causa de uma garota e ainda por cima meio sanguessuga? – um dos meninos zombou.
- Fique fora disso, Jared. Isso é uma coisa de Alfa pra Alfa. – Sam Uley falou.
- Nessie, vá para trás. – Jacob falou.
- Não... – eu disse a ele.
- Nessie, não é hora de sua teimosia. Vá para trás.
- Eu não vou deixar que minha imprudência o machuque, Jacob. Foi minha culpa você ter ido embora. Foi minha culpa eu ter vindo até aqui e eu vou arcar com as conseqüências. Podem me levar. – eu disse dando um passo a frente.
De repente, uma voz familiar rompeu por cima das árvores. Um vulto branco apareceu e em seguida outros cinco.
- Não toque em minha filha, Sam. – mamãe disse. Parte de minha família se encontrava lá. Tia Alice, meus tios Jasper e Emmett, meu pai, minha mãe e vovô Carlisle. – Ela não tem culpa.
- Como sabia onde nos encontrar? – eu perguntei.
- Eu consigo ver seu futuro ao lado de Jacob agora que vocês são como um. – tia Alice disse. – Mas de repente esse futuro começou a desaparecer logo após você ter encontrado com ele, então achei que alguns lobos poderiam estar envolvidos e nós entramos na floresta.
- Conversaremos de sua imprudência depois, mocinha. – mamãe me olhou, levando seu olhar novamente a Sam Uley. – Sam, Renesmee procurava por Jacob. Ela não sabia dos limites. Ela não teve a intenção. Reconsidere.
- Mas, pelo que parece, a maioria dos sanguessugas avançou a fronteira, não é mesmo, Bella? – ele disse à minha mãe.
- Viemos buscar Nessie e Jacob. – tio Emmett disse. – Não é como se viéssemos lutar ou algo assim. Mas, se vocês quiserem brigar...
- Emmett, não piore as coisas. – vovô disse. – Sam, não viemos atacar ninguém. Estamos cientes do pacto. Na desrespeitaria as leis que criei junto com os seus parentes. Mas houve um grande mal entendido. Renesmee não conhecia a fronteira, ela só tinha vindo atrás de Jacob. Reconsidere, por favor.
Sam Uley fez uma pausa imensa. Por um momento, seus olhos pararam em Jacob. Passaram-se alguns minutos e ele ainda fitava Jake. Nessas horas gostaria de ter o talento do meu pai. Eu sabia que Sam Uley não era uma pessoa ruim, mas ele estava extremamente chateado com Jacob. Não o perdoou ainda pela saída do grupo e muito menos em viver numa casa infestada de vampiros.
- Quer essa seja a última vez, Jacob. Não sei se serei compreensivo numa próxima. Você não tem culpa da impressão ter sido na filha de dois sanguessugas, mas...
- Eu teria escolhido Nessie mesmo sem a impressão, Sam. – ele disse, me abraçando. Aquilo me confortou bastante, tanto o abraço quanto as palavras. – E nunca a abandonarei.
- Você é quem sabe. – Ele disse, enquanto sumia dentro da floresta.
- Renesmee. – mamãe me abraçou. – Eu não sei quem foi o mais imprudente. Você, seu pai ou sua tia Alice, mas estou feliz que você e Jacob estão bem.
- Eu estaria preparado para uma boa luta, sabe? – tio Emmett resmungou. Todos rimos.
- Vamos embora. – papai nos chamou. – Sam falava sério quando disse que não seria piedoso numa segunda vez.
Saímos todos da floresta. Chegando em casa fui recebida por minhas avós e tia Rosalie. Estavam felizes em me ver bem. Tia Rose, é claro, não estava feliz em ver Jacob.
- Então, loira, feliz em me ver? – ele abriu os braços, fingindo que ia dar um abraço nela.
- Não encoste em mim, pulguento. – ela disse, com rispidez.
- Ei loira, já sei porque você gosta tanto de sua BMW. – ele disse, enquanto sorria. – É porque você consegue soletrar o nome. – ele gargalhava. Ouviu-se uma gargalhada no fundo da sala e nem precisamos nos virar pra ver quem ria. Até porque, a voz enfurecida da tia Rose denunciou o dono da risada.
- EMMETT! – ela gritou.
- Ah, ursinha. Desculpe. – ele ficou sério.
- Bem, acho que como está tudo certo, e estão todos aqui, posso providenciar as coisas para que o baile se realize amanhã, não é mesmo? – tia Alice falou, empolgada. – Venha Jacob, espero ter acertado em suas medidas. – ela disse, puxando sua mão, conduzindo meu namorado pela escada acima.
Quando todos tiveram o que fazer, se adiantar com os preparativos, fazer ligações para os amigos vampiros, avisando do baile e pedindo para que já viessem alimentados, pois haveriam humanos na festa, eu chamei o meu pai num canto da casa para perguntar algo que estava me corroendo por dentro.
- O que Sam Uley pensou enquanto fitava Jacó, papai? – eu perguntei.
- Ele sentia um pouco de inveja de Jake. Sabe Nessie, Sam Uley não pôde optar em ficar com alguém que ama e se render à impressão. Jake teve a sorte de amar alguém e ter a impressão sobre essa pessoa.
- Mesmo eu sendo filha de vampiros, ele sente inveja de mim?
- Ele sente inveja do verdadeiro amor. Ele não tem certeza se estaria com a Emily se não fosse a impressão. Ele era feliz com a Leah e não lhe agrada magoá-la tanto.
Por um momento senti pena de Sam Uley. Realmente, ele não teve opção.
- Papai... Você acha que Jacob me ama de verdade? – eu perguntei.
- Quase tanto quanto eu amo a sua mãe. – ele sorriu. Dando-me um beijo na testa, ele se juntou à minha mãe, a abraçando e cochichando algo no ouvido que graças a minha audição apurada, pude ouvir perfeitamente. – Eu te amo mais do que tudo nessa vida.
- Eu te amo mais do que a minha própria vida. – ela respondeu.
- Eu sei. – ele suspirou, parecendo meio triste. – Você abriu mão dela para estar comigo, lembra?
- Não abri mão de minha vida para estar com você. Minha vida sem você não existe. Esta é minha vida e eu a escolheria quantas vezes fosse preciso.
Ele sorriu seu sorriso torto preferido.
- Sabe, senhora Cullen, está em dívida comigo. Não quer dar um pulo na nossa cabana?
- Agora? – ela sorriu, fingindo que pensava. – Tudo bem!
Essa era a minha deixa. Não queria ouvir mais nada sobre a intimidade deles. Me despedi de todos. Vovó Renée dormiria no quarto de tia Alice comigo e Jacob no quarto do meu pai. Quando entrei no quarto de tia Alice, ela estava espetando Jacob com um alfinete.
- Ai, baixinha, cuidado com isso ai. – ele riu.
- Se você ficasse quieto, mas não! Você se mexe demais. – ela disse, séria, mostrando a língua logo em seguida. – Oh, Nessie. Vamos mudar de quarto para que você durma. Venha, Jacob. – ela puxou o seu braço.
- Boa noite, meu amor. – ele me deu um beijo na testa, enquanto passou por mim.
- Boa noite, Jake. Durma bem. – eu sorri de volta.
Deitei na cama extra que havia sido colocada no quarto da minha tia. Fechei meus olhos e dormi uma noite cheia de sonhos.


O Sopro do Vento - Capítulo 09: Impressão

- Como? – eu perguntei. – Jake, o que isso significa? Você é o melhor amigo que mamãe tinha e deixou para casar-se com meu pai?
Todos se calaram. A essa altura toda a família estava reunida do lado de fora da casa. Meus pais, meus tios, meus avós e o Jacob, todos eles me olhavam.
- Nessie... eu... – ele disse.
- Então, Jake? É verdade? – senti meu rosto queimando, mas dessa vez não era timidez.
- Sim. É verdade. – ele confessou, baixando a cabeça timidamente. – Eu fui contra o namoro de seus pais por meus sentimentos por Bella. Eu implorei a ela que ficasse comigo quando ela foi salvá-lo na Itália. Se dependesse de mim, seu pai teria morrido naquele mesmo dia e nós estaríamos felizes.
Levei minha mão até a boca. Não podia acreditar nas palavras que Jacob estava dizendo. Não podia acreditar em tamanha barbaridade. Como eu podia amar alguém que queria ver meu pai... morto?
- ... mas, - ele continuou. – eu sinto muito. Eu não deveria ter feito aquilo. Eu estava cego pelo ciúmes e pela idéia de sua mãe se transformar... se transformar...
- Em uma sanguessuga, cachorro. – tia Rosalie completou.
- Rose, você não está cooperando. – tio Emmett disse, sério. Acho que pela primeira vez em minha vida eu tinha visto tio Emmett sério.
- Em todo caso, Nessie, eu realmente sinto muito por ter desejado mal a seus pais. Bella era a minha melhor amiga e eu tinha que ficar feliz com a escolha dela. Era a escolha dela e eu não poderia jamais interferir. – Jake disse. Eu pude ver a aflição crescer em seu rosto. – E então, sua mãe ficou grávida de você e por algum motivo eu não conseguia sair do lado dela. E quando eu a vi nos braços da loura psicopata...
- Olha lá, Emmett... ele ta começando. – Tia Rosalie protestou, mas ninguém deu ouvidos a ela.
- Eu percebi que era a você a quem eu estava predestinado. – ele sorriu, com dificuldades.
- Então... – eu disse, tentando parecer o mais fria possível – eu sou apenas uma substituta?
- Nessie, não, eu... – ele falou, mas eu interrompi.
- O mais perto que você um dia vai poder chegar do que foi Isabella Swan, Jake?
- Renesmee, minha filha, você está sendo irracional. – mamãe disse. – Jacob está tentando dizer...
- Você... também... mentiu... pra mim. – eu disse e agora sabia que o rubor de minha face vinha da cólera que eu sentia. Não dos meus pais ou de Jacob. Mas da mentira. Não, não da mentira. Pior, da verdade não dita. – Como você pôde? Você é a criatura que eu mais amo e você escondeu isso de mim.
- Às vezes os pais não fazem o que é certo, Renesmee – ela me disse, serenamente, mas ao mesmo tempo envergonhada. – mas sim o que é melhor pra seus filhos. Não era viável você saber disso, só iria machucá-la. Não sabemos ainda como a impressão...
- Vocês só sabem falar dessa maldita impressão, mamãe. Será que Jacob não seria capaz de se apaixonar por mim sem isso? Sem precisar ser lobo e eu o centro do universo dele? Ele não poderia ser só Jake e eu, Nessie? – eu gritava, enquanto meus parentes tentavam me acalmar.
- Nessie... eu... – ele tentou dizer, mas eu o interrompi.
- Jake. Desculpe, mas eu quero que você vá embora. – eu disse, enquanto as lágrimas escorriam em minha face.
- Nessie... eu... eu sinto muito. – ele disse. Então, ele explodiu em minha frente e o grande lobo apareceu mais uma vez, sumindo pela floresta à beira de nossa casa. O grande lobo uivou alto e pude ver que ele estava... chorando.
Toda minha família agora me fitava. Mamãe, papai, minhas avós, meu avô e meus tios. Eu não conseguia parar de chorar. Mamãe tentou me abraçar, mas eu me afastei dela.
- Por favor, não me toque agora. – eu simplesmente disse.
- Renesmee... – ela disse, sussurrando.
- Eu ainda a amo, mamãe, mas no momento não vejo razões para isso. – falei, friamente. Ela me olhou, tristemente. Pude ver toda a dor que a frase lhe causara
- Renesmee, você está sendo dura demais com sua mãe;. – meu pai me disse, secamente.
- Vocês não pensaram em mim quando esconderam a verdade. Justo você, papai, a quem não tenho segredos.
- Bom, só porque ele pode ler os seus pensamentos... – tio Emmett disse.
- CALA A BOCA, EMMETT! – tia Rosalie, tio Jasper e tia Alice gritaram, em coro.
- A questão é que vocês mentiram pra mim. Eu preciso de um tempo pra pensar. Por favor, me deixem sozinha um pouco, sim? – eu disse, enquanto subia para o quarto do meu pai. Lá eu podia ficar sozinha. Lá ninguém me incomodaria. Não queria ir para a cabana onde morava com meus pais. Tinha muitas lembranças de Jacob lá. Entrei no quarto e fechei a porta. Deitei no sofá preto que meu pai nunca quis se desfazer, enquanto as lágrimas escorriam por seu couro preto.
Passadas algumas horas, ouvi uma leve batida na porta. Reconheci o cheiro de minha avó Renée, uma vez que estive abraçada com ela. Eu estava mais calma e não queria ficar sozinha, mas também não queria ver os vampiros da minha família, que tinham escondido essa verdade de mim.
- Pode entrar, vovó. – eu disse, enquanto sentava na cama.
- Como sabia que era eu? – ela disse, sorrindo.
- Os outros, com exceção da vovó Esme e do vovô Carlisle, não batem na porta quando entram. – eu disse, num sorriso abafado. – Além do mais, numa casa cheia de vampiros, o seu cheiro sobressai. – eu falei, lembrando das palavras que um dia Jake me disse. Eu tremi com esse pensamento.
- Ah, sim... – ela pareceu se lembrar que estava numa casa com seres diferentes. – Renesmee...
- Pode me chamar de Nessie, se quiser, vovó. – eu disse.
- Não, tudo bem, eu gosto de Renesmee... Lembra Renée, e eu sei o quanto sua mãe pode ser chata com nomes. – ela riu. – Quando ela tinha cinco anos, alguém disse a ela que Bella significava beleza. Desde então, ninguém mais pôde chamá-la de Isabella. Uma pena, pois eu realmente gosto desse nome. Acho que hoje ela não liga mais para o fato do significado, mas virou um hábito. Acho que eu devia ter ido ao cartório e mudado seu nome pra Bella. – ela riu. Eu forcei um riso.
- Então, você não subiu aqui pra enfrentar uma adolescente imortal que está triste só para falar sobre nomes, não é mesmo? – eu olhei para ela.
- Não... eu realmente não vim falar sobre isso. – ela respirou fundo. – Vim dizer que sei como você sente.
- Sabe? – eu perguntei.
- Sim... sei, claro que sei. E com sua mãe.
- Com... minha mãe? – eu questionei.
- Sim. O fato dela não ter ido me ver, arranjar sempre uma mentira para não ir me visitar ou me telefonar machucou muito. Vir aqui e descobrir toda a verdade me doeu muito. Me senti traída por ela, por seu avô, por sua família inteira.
- Mas ela confiou a você nosso segredo, vovó. – eu falei. – Mesmo sabendo que se os Volturis descobrirem, você e o vovô Charlie estarão em grande perigo, mas mesmo assim ela contou pois estava cansada de magoar você.
- Sim, estou ciente da situação. Por isso eu resolvi perdoa-la e aceitar o que ela é. Por amor, ela tentou me proteger. – vovó sorriu, e então percebi o que ela quis dizer.
- Sabe, funcionaria melhor se você falasse diretamente o que você quer dizer com tudo isso. – eu simplesmente disse. – Sei que você acha que ela tentou me proteger, mas proteger de que?
- Disso. – e ela apontou pra mim. – Da tristeza, da agonia de um amor despedaçado. Ninguém gosta de estar em segundo plano, Renesmee. Ninguém. Sua mãe não queria que você achasse que você era uma segunda opção para Jacob.
- Mamãe não queria que eu estivesse com Jacob.
- Como assim? – ela perguntou.
- Me permite mostrar uma coisa a você, vovó? – eu falei, me aproximando. – Mas não se assuste. Se bem que depois de hoje, acho que nada mais vai assusta-la. – eu sorri. Ela também sorriu. Eu coloquei a minha mão em seu rosto e pensei no momento em que a minha mãe me viu pela primeira vez. Quando ela me teve em seus braços e o quanto aquele momento emanava amor. Mas ai, veio a parte em que mamãe descobriu que Jake teve sua impressão comigo. O momento que ela rosnou e pulou em cima dele. Senti vovó, de olhos fechados, tremendo na cadeira, como se quisesse livrar aqueles pensamentos de sua cabeça. Então, eu afastei minhas mãos do seu rosto, rapidamente e a abracei.
- Você... como você faz isso? – ela me perguntou.
- Cada um tem um talento, vovó. – eu tentei explicar. – O meu é esse.
- Seus pais também? – ela me perguntou.
- Sim, mamãe tem o talento da proteção. Ela conseguiu proteger a família e nossos amigos contra o ataque dos Volturis. – eu disse, orgulhosa. – Papai lê pensamentos, tia Alice prevê o futuro, tio Jasper...
- Espera, espera, espera! – ela falou. – Seu pai realmente lê pensamentos.
- Sim, ele os escuta. – eu falei. – Não é um dom muito favorável aos outros, principalmente para mim. Ele é um cavalheiro, claro, mas sempre divide as minhas idéias com a mamãe.
- Ai... meu Deus! – ela despencou no sofá. – Ai meu Deus, ele lê pensamentos. Imagine, todas coisas que já pensei sobre ele... Sobre ele e Bella, ele sabia de tudo.
- Ruim, né? – eu perguntei. Sabia a sensação e não era nem um pouco agradável. – Mas como eu disse, papai é um cavalheiro. Ele jamais dividiria sues pensamentos. Só os meus. – então, sorri. Era tão fácil estar perto da minha avó. Ela me fazia tão bem. Quase igual ao dom de tio Jasper.
- De qualquer forma... – ela continuou. – Sua mãe pode ter sido contra seu namoro no início. Realmente, você era um bebê, ela devia estar assustada. Eu fiquei assustada quando a minha filha de dezoito anos resolveu se casar. Mas sabia que isso era uma decisão dela. Talvez Bella esteja pensando a mesma coisa. Te contar sobre ela e Jacob iria interferir num destino já traçado a vocês. Não sei como funciona esse processo chamado impressão, mas se for igual ao que seu pai e sua mãe têm, você e Jacob Black estão ligados por um elo indestrutível.
- Você acha isso mesmo, vovó?
- Sim, acho. – ela me aninhou em seu corpo, dando-me um beijo na cabeça. – E se você for tão esperta quando eu imagino que seja, você vai ver que o que sua mãe fez não foi egoísmo. Foi... nobre.
- Nobre? – eu perguntei.
- Sim. Nunca conheci alguém tão altruísta como a sua mãe. – ela falou. – Ela veio pra cá para Forks para que eu pudesse viver a minha vida em paz com Phill. Ela pensa que eu não sei, mas eu sempre soube. Ela nunca gostou daqui.
- Mas porque você diz que no meu caso... – eu falei, mas ela me interrompeu.
- Pois deve ser difícil abrir mão de uma pessoa que você ama por outra pessoa que você também ama. Sua mãe fez isso com Jacob duas vezes. Uma, quando escolheu o seu pai e outra quando deixou que ele tivesse o coração de sua filha. – ela sorriu, serenamente.
Duas vezes. Mamãe havia se magoado duas vezes. Sei que se ela tivesse tido outra oportunidade escolheria o meu pai. É tão nítido, claro como água. Eles foram feitos um para o outro. Mas mamãe também amava o Jacob. Não queria magoá-lo. E agora estava magoada.... comigo. Não por eu ter aceito Jacob como companheiro, mas pelas coisas horríveis que eu falei mais cedo. Eu tinha que concertar isso. Percebi sua presença do lado de fora. Que ingenuidade pensar que numa casa com criaturas com uma audição tão incrivelmente nítida, ninguém estaria ouvindo a minha conversa.
- Pode entrar, mamãe. – eu falei.
Então, ela entrou. De cabeça baixa, olhando-me timidamente.
- Como você sabia que ela... – vovó me perguntou, mas eu antecipei a resposta.
- Super audição, vovó. Quase como super heróis.
- Ah... sim. Claro. – ela sorriu. – Que nem os morcegos, quando...
- Não nos transformamos em morcego, mãe. – minha mãe falou. Riu baixinho.
- Bom. Vou deixa-las a sós. – ela se levantou.
- Por favor, vovó, fique. – eu pedi.Eu levantei e caminhei para perto da minha mãe. – Mamãe. Eu sinto muito ter magoado você. Eu sinto muito por ter sido o motivo de tanta coisa. Você abriu mão de sua faculdade, de seus amigos por mim. No momento em que me teve, você estava fadada a essa... vida.
Ela não disse nada. Só me abraçou.
- Você é o maior orgulho que tenho nessa vida, Renesmee. Você não é só a razão da minha transformação, mas é por você e por seu pai que eu viveria por toda a eternidade. De que me adiantaria ser imortal se não tivesse vocês? De que adiantaria estar aqui sem a minha filha, meu bem mais precioso? Eu não trocaria isso por nada nesse mundo. Não valeria a pena. Eu te amo.
- Eu também te amo, mamãe. – eu abracei mais forte o ser que tinha me trazido ao mundo. Pude ouvi-la sussurrar obrigada à minha avó. Então, ela veio se juntar ao nosso abraço. A porta abriu de repente e vimos o flash da máquina fotográfica.
- Alice! – mamãe disse. – Não acredito.
- Ah, você acha que eu realmente perderia de tirar uma foto das três abraçadas? – ela sorriu. – Afinal, agora que Renée está aqui, temos muito o que fazer com o baile de debutante. – ela falava. – Venha comigo, Renée, venha ao meu quarto, quero mostrar o seu vestido e o de Renesmee. Estão lindos. Bella, depois venha moldar o seu, sim? Edward já experimentou seu smoking.
- Quando Edward experimentou o smoking, Alice?
- Há dois minutos atrás. – ela sorriu, enquanto puxava vovó pela mão até o seu quarto, sumindo de nossas vistas e tagarelando que rosa escuro cairia divinamente na vovó.
- Por Deus, se não fosse minha irmã... – mamãe falou, enquanto sorria. – Então. Vai ligar para o ...
- Mamãe, não estou pronta ainda. – eu falei. – Eu entendo seus motivos, mas não os dele. Não quero que ele me tenha como uma segunda Bella.
- Entendo Renesmee, mas...
- Por favor. Eu não quero falar sobre ele agora.
- Tudo bem. – ela suspirou. – Venha, está quase na hora do jantar.
- Mas eu não vou comer. – eu falei.
- Sua avó precisa de companhia. Vai ser muito estranho para ela comer sozinha. – ela me disse, enquanto sorria triunfante. Sabia que eu cederia ao nome da minha avó.
- Está bem... Que maravilha da culinária nós vamos ter para o jantar, mamãe? – eu perguntei, ironicamente.
- Que bom que perguntou. Hoje vamos ter carne com purê de batata e torta de morango para a sobremesa. O seu bife mal passado, claro.
- Obrigada pela consideração. – eu disse, me dirigindo ao banheiro. Precisava de um banho. Nem pensei em vestir nada que agradasse minha tia. Vesti uma calça jeans, uma blusa branca e tênis preto. Quando desci, senti seu olhar de desgosto, mas ao mesmo tempo, mamãe sorriu, triunfante.
- Chega, não compro mais tênis, blusas brancas e jeans para nenhuma das duas. – Ela falou, sentando-se na mesa.
Tivemos um jantar agradável. Vovó elogiou a comida feita por papai, perguntando se eu não tinha gostado do meu bife quase intocado.
- Eu como pouco... – eu falei. Ela me olhou de canto de olho como se desconfiasse. – Está bem, confesso. Eu prefiro sangue de alce. – então, ela riu.
Ouvi o carro do vovô Carlisle chegando na beira da estrada. Desconfiava que ele tivesse finalmente descoberto o motivo pelo qual eu havia crescido tanto em tão pouco tempo.
Ele chegou em casa, deu um beijinho em vovó Esme, cumprimentou a vovó Renée e finalmente, disse.
- Acho que eu sei o motivo pelo qual Renesmee cresceu tanto e tão rápido. – Ele falou para a nossa família. – Eu analisei sua amostra de sangue e a comparei separadamente com a de Jacob. É incrível a compatibilidade do material genético de vocês.
- E isso significa o que? – eu quis saber.
- Significa que como Jacob cresceu rapidamente, atingindo seu limite como lobo, você também atingiu o seu como meio vampira. Isso deve ser por causa da impressão.
- Da impressão? O que a impressão tem a ver com isso, Carlisle? – papai perguntou.
- Veja bem, se eu bem entendi, a impressão transforma dois corpos em um. Um não vive mais sem o outro. Acredito que Jacob ter tido a impressão com um ser que já mudava constantemente fez com que o desenvolvimento de Renesmee acelerasse... Isso principalmente quando os dois foram afastados.
- Como assim, Carlisle? – papai perguntou novamente.
- Veja bem. Ao colocar o sangue dos dois próximos um do outro, suas moléculas estavam estáveis. Quando guardei o sangue de Renesmee para que pudesse analisar somente o de Jacob, as células deste começaram a agitar-se freneticamente. Nunca presenciei algo tão espantoso. Quando aproximei o sangue de Renesmee, as células do sangue de Jacob se acalmaram. Então, fiz o mesmo com o sangue de Jacob e as células de Renesmee começaram a se multiplicar. Então, cheguei a conclusão que o afastamento deles pode ter sido a causa do desenvolvimento rápido de Renesmee.
- Carlisle, você é brilhante. Agora está claro. – mamãe falou.
- Está? O que? – papai perguntou. Sabia que nessas horas gostaria de poder ler os pensamentos da mamãe.
- Jacob nunca foi apaixonado por mim. Ele não conseguia ficar longe de mim pois eu já tinha parte do material genético de Renesmee. Não só durante a gravidez, mas antes disso. Eu reencontrei Jacob depois de conhecer Edward. Eu, de certa forma, já pertencia a Edward. Então nossos caminhos já haviam se cruzado. Nós já éramos como um. Por isso Jacob não conseguia se afastar. Era por Renesmee, não por mim.
- Bella está certa. – papai falou. – Renesmee já fazia parte de nós. Só não sabíamos, mas parte de Jacob já devia saber.
- Então... ele não me tem como segunda opção? – eu perguntei, me sentindo feliz e envergonhada, ao mesmo tempo. - Então, ele realmente me ama? – eu olhei para o telefone e corri. Disquei o número que conhecia tão bem. O telefone da casa dos Black. Ouvi a voz cansada de Billy atendendo o telefone. – Billy?
- Sim, olá Nessie, como vai?
- Bem... posso falar com o Jake?
- Mas... ele não está com você? Pensei que estivesse, afinal desde que seu pai foi busca-lo na fronteira, ele não aparecesse em casa.
- Desculpe, Billy, vou desligar. – eu disse. Ouvi a voz de Billy chamando meu nome, mas isso não importava muito. Jacob tinha ido sumido. Tinha ido embora... e era tudo culpa minha.